quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Big Brother



Os Big Brothers do futebol indígena caíram na chamada «armadilha» de Timisoara. Passo a explicar: o que se vê na tv nem sempre é tão factual como parece. Por vezes, através das imagens julgamos ter o poder de ver e julgar, sem meditar ou reflectir sobre as coisas. Somos escravos da televisão. O episódio de Timisoara é um capítulo negro no jornalismo e foi meticulosamente desmontado por Ignácio Ramonet, no seu livro intemporal «A Tirania da Revolução». Durante a revolução romena que ditou a queda do comunismo naquele país, uma televisão mostrou imagens chocantes de centenas de ossos e cadáveres alinhados num campo. Teria sido o resultado de um massacre em massa perpetrado em 1989 pelo regime de Ceaucescu. As imagens correram mundo e ninguém as questionou, até se descobrir que as ossadas eram na verdade corpos de indigentes que foram desenterrados de um cemitério e cedidos à televisão. Tudo para legitimar o fim do comunismo. Neste caso concreto, as próprias imagens, analisadas à lupa por especialistas, ajudaram a recuperar a verdade.

Está instituído nos clubes (todos os clubes) a necessidade de alguém colado ao televisor estabelecer a ponte com o treinador. Acontece no calor do jogo. Isso para a mensagem de indignação e/ou revolta passar célere e sem portagens pela autoestrada (ou Scut...) da informação, mesmo quando se verifica, pelo teor das declarações produzidas em directo ou na sala de imprensa, que os interveniente não estão seguros do que estão a dizer. Normalmente, corre bem. Às vezes, o sistema dá curto-circuito, sobretudo quando alguém fica com os óculos embaciados.
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