domingo, 19 de setembro de 2010

Para a frente, Coentrão

Não me vou alongar muito sobre o derby/clássico Benfica-Sporting, que os encarnados venceram com inteira justiça, por 2-0. Há uma velha máxima, das poucas que me parecem fiáveis, segundo a qual o grande que atravessa pior fase normalmente vence. Assim aconteceu. Volto a falar sobre Coentrão, que hoje regressou às origens, actuando como extremo. A 15 de Agosto, a propósito de uma notícia de A Bola dando conta da possibilidade de Jesus recorrer a Coentrão para suprir a saída de Di Maria - e limitar os estragos decorrentes das evidentes insuficiências de Gaitan para a função - escrevi um post em que manifestava alguma perplexidade com a situação. Perplexidade é a palavra certa: Portugal acabara de ganhar um lateral-esquerdo como há muito não tinha e como seguramente não terá tão cedo.

Antes de mais, Jesus não tem de pensar na Pátria. Tinha um problema e resolveu-o: Gaitán fazia um ou outro movimento engraçado pela ala, que, de tanto o repetir, se tornou previsível. O argentino não dá profundidade ao ataque e a mim parece-me mais vocacionado para jogar no meio-campo - honestamente, não concordo que dê um bom avançado móvel. Avança Coentrão, o qual, na prática, já era o verdadeiro extremo do Benfica. Explosivo, dinâmico, o miúdo das Caxinas cria facilmente uma dúzia de movimentos de ruptura num jogo. É isso que o futebol, hoje em dia, pede aos extremos. É isso que Jesus quer. Com Coentrão no ataque, o Benfica ganha novo fôlego mas, como é óbvio, perde alguma coisa em termos defensivos. É a velha história do cobertor. Digam de vossa justiça: será esta uma solução passageira?
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