domingo, 15 de agosto de 2010

Para trás, Coentrão



Vi pela primeira vez Fábio Coentrão num treino do Rio Ave. Tinha 16 anos. O que vi, especificamente? Vi um puto com pernas de alicate, mas valente, a correr desalmadamente pela asa esquerda, a traçar uma diagonal rumo à área e a meter a bola debaixo da pernas de Gaspar. Tentou o golo de ângulo difícil mas falhou o alvo. Perguntei a Carlos Brito quem era o rapaz. Um puro-sangue de ataque, respondeu-me. Quando Jorge Jesus o colocou a lateral-esquerdo, metendo na cabeça que havia de o tornar num defesa de classe Mundial, vieram-me à memória as imagens desse treino e uma certa perplexidade por ver um extremo esquerdo tão promissor na vontade e no talento transformar-se em defesa. Era arriscado.

Obviamente, estava enganado. Coentrão chegou à Selecção Nacional por via das boas actuações como lateral-esquerdo no Benfica. Há muito que Portugal não tinha para aquela posição um jogador tão estimulante. Especula-se agora que Coentrão poderá voltar a avançar no terreno, porque o Benfica continua órfão de Di Maria. Jesus gosta de extremos explosivos. Gaitán é bom de bola, mas não é extremo e ali não faz grande diferença. É a velha história do lençol: se o puxam para cima, destapa os pés. O Benfica irá seguramente ao mercado contratar um ala ofensivo, porque sabe que é muito mais difícil e dispendioso comprar um lateral-esquerdo com a qualidade de Coentrão. Se é que há algum livre ou a bom preço.
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