segunda-feira, 17 de maio de 2010

Jesualdo: o desencanto da despedida

Como qualquer ser humano, Jesualdo Ferreira terá virtudes e defeitos - contudo, não o conheço tão bem ao ponto de afirmar que enquanto homem as virtudes suplantam os defeitos. Visto de fora, e pelo contacto que com ele tive em Braga, fiquei com a impressão de que é boa alma. Como treinador, a minha opinião é mais explícita e menos vaga: as suas virtudes suplantem largamente os defeitos. É um profissional com muitas competências e imensos conhecimentos, um técnico que promove o crescimento desportivo dos jogadores através de um trabalho desenvolvido com método e subordinado a princípios tácticos muito concretos. Em suma, e na minha modesta opinião, está no top 5 dos treinadores portugueses. No FC Porto ganhou três Campeonatos consecutivos (foi o primeiro português a consegui-lo no clube), duas Taças de Portugal e uma Supertaça. Mas até parece que não ganhou nada.

Salvo grande cambalhota, terminou ontem a era Jesualdo Ferreira no FC Porto. Um ponto final dado com honra, numa época em que o Benfica e o Braga cresceram mais do que os responsáveis portistas esperavam. Esse é o cerne da questão. Se aquele discurso feito para fora do Dragão, segundo o qual o Benfica é o campeão dos túneis, fosse realmente interpretado internamente à luz dessa realidade, sacrificar Jesualdo Ferreira não faria sentido nenhum. O que está em causa é muito mais do que isso - é abrir outro ciclo, com outro treinador, e procurar desde já evitar que o rival da Luz escape do raio de visão dos dragões.
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