domingo, 26 de outubro de 2008

A lei do Leixões




Estive ontem à noite no Dragão (aposto que já tinham saudades destas fotos de paparazzi!), onde o FC Porto desprezou aquele célebre aviso segundo o qual «há mar e mar, há ir e voltar». Claro que o jogo foi na casa azul, mas a avaliar pela forma como o FC Porto foi envolvido nas ondas do futebol vibrante do Leixões, o perigo de afogamento era mais do que previsível. O FC Porto ainda esteve 20 minutos com a cabeça de fora, logo após o intervalo, mas sem bóia (Lucho) onde se agarrar foi ao fundo, primeiro devagar, depois como uma âncora, imparável.

Pensava-se que este Leixões vivia muito dependente do talento de Wesley. Que engano. Braga, jogador que no Leça já era um caso sério, fez bem o lugar do brasileiro e foi o melhor da noite, com dois golos e uma exibição de sonho. Muito bem Bruno China na zona das ideias. Tirando Joel, o Leixões esteve colectivamente irrepreensível, mostrou uma atitude competitiva notável e nunca foi uma equipa de pontapé para a frente. Pelo contrário: soube sair da sua área sempre com a bola controlada. Em oito remates que fez, seis foram perigosos, quatro deram golo (embora o de Zé Manel tenha sido mal anulado).

Os dragões estão mal. Ao cansaço físico junta-se o cansaço psicológico e opções erradas de Jesualdo na constituição do onze e nas duas últimas substituições. Com Tomás Costa na esquerda, o FC Porto ganhou um lateral que nunca teve esta época. A entrada de Mariano para aquele flanco e a posterior deslocação de Tomás Costa para a direita redundou em fracasso.

Subtraindo o dado (importante) de frente a frente estar um candidato ao título e uma equipa que acima de tudo quer garantir rapidamente a permanência, há que sublinhar a grande qualidade do jogo: cinco golos, um ambiente vibrante nas bancadas, com muitos adeptos do Leixões a apoiar a sua equipa, um jogo de futebol bem disputado e sempre interessante.

Não há dúvida de que este FC Porto está com um terrível défice de confiança. Basta notar que num tema sensível (os assobios) o balneário foi de um extremo ao outro: primeiro queixava-se da injustiça do público, agora reconhece que assobiar esta equipa é não só um direito das hostes portistas como é legítimo fazê-lo, considerando as actuais circunstâncias.

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