segunda-feira, 4 de abril de 2016

Panamá 'Savers'



Ainda muita água vai correr debaixo da ponte, mas com o Panamá Papers o Jornalismo cumpriu aquela que é uma das suas principais funções - denunciar e atacar os poderes instituídos, indo além do simples cruzar de braços quando somos confrontados com o esquema labiríntico das offshore. Tudo começou com a chegada de milhões de documentos a um só jornal, o Süddeutsche Zeitung, normalmente conhecido por SZ. É o maior jornal generalista alemão, mas com este fluxo anormal de informação a exigir triagem seria impossível, isoladamente, um só jornal ir ao fundo da questão. 

Foi aqui que entrou o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação. Neste link podem ver os jornalistas que compõem o Consórcio. Muitos arriscam a vida a investigar casos relacionados com crimes de guerra, crimes económicos e a denunciar outros tipos de práticas ilegais que, no fundo, são o reflexo do mundo em que vivemos. O Jornalismo, como pilar da sociedade, pode alterar o rumo da história. Fê-lo no passado e nada mudará isso no futuro, mesmo com o fim anunciado do jornal em papel. O Panamá Papers já apanhou na sua rede várias personalidades destacadas, mas ainda estamos no início. Portugal será severamente afetado. 

Nada de ilusões: não há político no Mundo que não tenha noção exata do que é uma offshore e qual a sua finalidade. Alguns já começaram a saltar para o lado dos «bons», e talvez estes sejam os primeiros a tropeçar nos seus próprios pecados. Para quem ama o Jornalismo, este é um momento de alegria, de orgulho, de satisfação. Por muito que os podres atinjam figuras com as quais podemos simpatizar, toda a verdade virá ao de cima e a Justiça terá de ser implacável. Não é justo que os que julgam estar «acima» dos simples mortais não contribuam, na exata medida da sua riqueza, para o bem global. Ao escapar das suas obrigações forçam a que os restantes tenham de pagar uma fatura muito mais elevada para financiar o Bem Comum. 
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