sexta-feira, 18 de março de 2016

Paulo Fonseca: sim, foi preciso coragem!



Noite épica do SC Braga ontem. Golear o Fenerbahçe, depois de ter a eliminatória tremida por duas vezes (1-0 lá, 1-1 antes do intervalo na Pedreira) só está ao alcance de uma grande equipa, de uma estrutura capaz, de jogadores de classe e de um treinador dotado. A sustentar tudo isto, uma família: os adeptos. Paulo Fonseca ganha finalmente o verdadeiro reconhecimento que merece, depois de uma passagem pelo FC Porto que podia ter-lhe condenado a carreira. Riam-se agora, os que dele disseram que não tinha estofo nem competência. Falar sem conhecimento de causa é fácil. Paulo Fonseca não se reinventou. Aprendeu com os erros que cometeu, como explicou numa entrevista que deu a A BOLA.

Retive a parte em que disse que andava dias a matutar o que fazer para «dar um novo toque» à sua filosofia de jogo. Arriscou tudo: manteve as ideias mas mudou a concepção táctica. Inspirou-se em Itália mas não só. Misturou tudo num 4x4x2 que de italiano não tem nada. É dele, é a sua matriz de jogo, e é essa matriz que torna este SC Braga excepcional e harmonioso, ao ponto de todos os jogadores se sentirem titulares e felizes. Nesta sociedade em que se exalta o supérfluo e na qual qualquer fantoche disfarçado de mestre é idolatrado, o passo atrás que Fonseca deu foi de uma excecional coragem. Poucos o dariam e seguramente poucos seriam capazes de não se conformar com o seu destino. Fonseca é treinador para grandes voos, desde que onde esteja o deixem ser feliz. 



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