segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Dragão e Messi. Uma ligação com 12 anos




Dia 16 de novembro de 2003. Inauguração do Estádio do Dragão e estreia de Messi pelo Barcelona, com apenas 16 anos. Duas datas, duas celebrações, porque sempre que se falar do astro argentino nunca se poderá contornar o espaço físico que lhe proporcionou o primeiro jogo com a camisola do Barça, tinha ele apenas 16 anos. Uma dúzia de anos depois, a casa do FC Porto continua a ser um estádio de eleição, que evoluiu com o tempo, mantendo a sua matriz de recinto esteticamente belo e extraordinariamente funcional e confortável. Parece fácil conciliar estes conceitos - beleza e a funcionalidade - mas num espaço que muitos diziam ser exíguo, o arquiteto Manuel Salgado ergueu um estádio que «respira» e que projeta a personalidade do clube e dos adeptos.

Por força do meu trabalho é dos estádios onde fiz mais jogos. Até tenho a impressão que será mesmo o 1.º estádio no meu ranking de visitas. Com a construção do pavilhão - outra obra que parecia não «caber» naquele pedaço de terreno e que combina bem com a paisagem - e a inauguração do museu, o todo está não só harmonioso como atual. Nem todos os Estádios do Euro-2004 estão atuais. Uns por degradação e outros porque os projetos não foram tão vanguardistas. O Dragão antecipou algumas exigências que a UEFA e FIFA introduziriam depois do Euro.

Lembro-me do momento mais marcante que vivi lá. Numa época em que as relações com A Bola andavam tensas - e antes que digam que andam sempre: não, nem sempre andam -, o circuito conduziu-nos à bancada, sob a forma de um pretenso castigo que celebramos como crianças felizes, para deceção de quem lavrou a sentença. Não há nada mais belo que ver um grande jogo de futebol na bancada, quase ao nível da relva. Adversário: o Manchester United, aviado com dois golos de McCarthy, aniquilado pela atmosfera criada pelo 12.º jogador. 

Não, não é um mito, um estádio é um poderoso aliado de uma equipa. E é também o seu juíz mais implacável. Parabéns ao Dragão. Parabéns, já agora ao Messi. E se quiserem deitem um olhinho à página e meia que o Rui Amorim e o vosso humilde servo escreveram, com uma foto que pessoalmente eu gosto muito, embora não seja o típico instantâneo de um estádio. Mas um beijo é um beijo e tem força. 

PS: Nesse jogo com o Man. United aparecemos todos no ecrã gigante. E nós (três estarolas) feitos totós a acenar. No final, escrevemos 5 páginas dessa noite memorável. Nunca mais nos mandaram para as bancadas :(
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