domingo, 20 de setembro de 2015

A ironia Vitória/André André




Há essa nota de certa forma irónica, mas normal no mundo do futebol, onde as personagens se cruzam, se separam, seguem caminhos diferentes e por vezes opostos. André André, como o conhecemos hoje, tem muito dedo de Rui Vitória. O talento, a raça, a crença, estes predicados sempre estiveram lá. É genético e cultural, pela herança que recebeu do pai. Mas, isoladamente, isso não faz um grande jogador. O segredo é dosear todas essas qualidades e potenciá-las. Misturar corretamente os ingredientes para se obter um produto final de qualidade sublime.  

André aprendeu e evoluiu muito em Guimarães. Conviveu com todo o tipo de pressão: dos adeptos, do seu papel cada vez mais importante na equipa e da pressão que colocou em si próprio. Sem criar demasiadas ondas mediáticas, André cultivou com desvelo de miúdo inconformado o desejo de uma carreira que o levasse ao palco desejado - o FC Porto. E à Seleção Nacional, onde entra de caras. Vi-o a jogar no Varzim numa boa fornada de bons jogadores. Vi-o emigrar cedo demais para Espanha, numa sombria viagem para a filial do Depor, de onde saiu a tempo. Correu o risco de apagamento numa fase da sua vida em que não estava suficientemente maduro para sair do País. 

Hoje brilhou no clássico do Dragão. Um bom jogo. Onde me deu gosto ver, além de André, portugueses com um valor tremendo, como Rúben Neves, Gonçalo Guedes, Nélson Semedo, sem esquecer que Danilo Pereira já deu cartas no onze portista e vai continuar a ser uma referência forte na posição seis. 
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