domingo, 23 de agosto de 2015

A jornada em que os grandes encolheram


A derrota do Benfica com o Arouca encerra uma jornada em que os três grandes tropeçaram ao mesmo tempo. As águias com mais estrondo, mas leões e dragões saíram com um sorriso amarelo da 2.ª ronda, mesmo com o deslize do Benfica em Aveiro. Não é uma soma de resultados que aconteça com muita frequência mas será ela reveladora de um nivelamento do campeonato? E se for, será um nivelamento feito por cima ou por baixo? O que se verifica é que houve por parte das equipas que não têm ilusões de ganhar o campeonato nacional um esforço louvável em dotar os seus plantéis com jogadores de qualidade. Alguns são talentos promissores resultantes de um trabalho aturado de prospeção; outros têm experiência acumulada na Liga; e há futebolistas com escola/formação nos principais clubes portugueses e que têm sido presença regular nas seleções jovens.

Vai ser um campeonato interessante. O que vê à vista desarmada? Um Benfica com uma clara dificuldade em fazer a transição entre a era Jorge Jesus e a de Rui Vitória. Um FC Porto com um plantel de luxo, mas que vive ainda agarrado a uma ideia de jogo bipolar, que tanto atira o dragão para um domínio esmagador como para um domínio inútil e infrutífero. O Sporting como Jesus o quer expressa-se nos seus movimentos em campo, mas não ainda de forma consistente, o que não admira. Não se muda tudo de um dia para o outro.

Dos três o leão é o único que assumiu, até agora, uma identidade e um caminho tático que rasgam por completo com o passado, com todas as virtudes e riscos decorrentes dessa decisão. Não se esperava que o FC Porto mudasse uma vírgula à sua filosofia, portanto, é um cenário que se pode considerar normal. E o Benfica? Parece-me que Rui Vitória só tem uma saída: impor as suas próprias ideias ou «morrer» a tentar. Não o fez e já vai com atraso. O que de bom Jesus deixou é difícil de reproduzir quando se tem como base anos de trabalho e crescimento sustentados num modelo e estratégia muito diferentes, que até resultaram em projetos bem-sucedidos, em especial no V. Guimarães. É uma confusão e um erro crasso misturar dois conceitos que não se complementam - e nunca se vão complementar.
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