quarta-feira, 30 de maio de 2012

O ciclo de Jardim e o futuro


Desde o dia da sua apresentação até ontem Leonardo Jardim esteve 356 dias no Braga. Espero não ter problemas por dizer isso, mas a minha «relação profissional» com o madeirense foi sempre pautada pelo respeito mútuo e pela percepção exacta do papel que cada um desempenhava no dia a dia. No resto, nunca fomos para os copos, nunca almoçámos juntos, não conheço nem ele conhece a minha família, os meus hábitos de cidadão comum, etc, etc. Fica a chamada amizade profissional. Jardim é boa pessoa, provou ser um bom treinador e é um homem de convicções. Olha a organização do futebol como um todo. Não é só táctica, conversa de balneário, golos que entram ou bolas que vão à traves. Para ele todos os aspectos relacionados com o quotidiano de um clube têm de estar em harmonia com aquilo que a equipa vai fazendo em campo. E isso pode por vezes criar choques. 

Recebeu uma herança pesada e deixa um bom legado ao seu sucessor. Quem se segue? Vamos ser claros: neste momento, estamos no chamado campo especulativo. Não que os nomes avançados não façam sentido. Fazem. A questão é que a resposta está na cabeça, e só na cabeça de Salvador. Cada candidato tem o seu ponto forte. Sérgio Conceição é um treinador jovem, de discurso assertivo, por vezes contundente. Vai directo ao assunto, não anda a contornar rotundas; José Peseiro é um «amor» antigo de Salvador. Por três vezes foi convidado para treinar o Braga e em todas as ocasiões ou estava comprometido com outros projectos desportivos ou em via de estar. Domingos Paciência. Apesar do passado poder dizer o contrário, a relação com Salvador é boa. Logo, é outro nome que emerge com toda a força do conhecimento que tem, dentro e fora, da realidade do Braga. Internamente até é considerado o homem certo para acabar de vez com o vazio criado agora. Paulo Alves. Tem no discurso com os jogadores as mesmas virtudes de Conceição, tacticamente é do melhor que eu conheço. Se não for agora, mais dia menos dia irá treinar o Braga. Por fim, Pedro Emanuel, protagonista de um primeiro ano como treinador principal que teve o seu ponto alto com a conquista da Taça de Portugal: discurso sólido, passado de campeão, o perfil cabe bem nas exigências do Braga. Questiono-me se não será cedo de mais para ele. 
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