segunda-feira, 23 de abril de 2012

O rei futebol vai nu



Num quadro realista, e sem entrar em demagogias, questiono-me: para que raio serve o alargamentos dos campeonatos profissionais quando é público e notório que 80 por cento dos clubes estão falidos? Não se trata apenas de salários em atraso. Essa é a ponta visível do iceberg, como Mário Figueiredo sabe bem. Estruturalmente, as finanças dos clubes são autênticos buracos negros, em muitos casos sem solução à vista. O UD Leiria está ligado à máquina, o V. Setúbal é um caso recorrente de incumprimento, o V. Guimarães, outrora um sólido representante da nação, definha por via de uma gestão amadora, e pelo meio há quem recorra aos favores (?) da banca para regularizar dívidas, entrando num circuito vicioso que os conduz inevitavelmente ao abismo. 

Da II Liga nem se fala. Aí o quadro é profundamente dramático. Ainda hoje se soube que jogadores do Arouca foram expulsos de casa por falta de pagamento das rendas por parte do clube. O U. Madeira está há meio ano à espera de um subsídio para pagar aos jogadores. Belenenses, Santa Clara, Freamunde, Naval, Trofense, Leixões atravessam situações preocupantes. Talvez me tenha esquecido de um ou outro clube. Talvez enquanto escrevo estas linhas, mais algum esteja à beira da morte. Mas estou seguro que na actual conjuntura, manda o bom senso que se faça a seleção dos cumpridores e que os outros sejam afastados, conforme ditam as regras que a própria Liga sabe não estarem a ser cumpridas. Se assim fosse, não era possível falar de alargamento, pois não?
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