segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

24 horas

Ninguém com bom senso achará normal que 24 horas depois de Godinho Lopes ter afirmado publicamente que Domingos estava seguro no comando da equipa o despeça, invocando razões que, legítimas ou não, atiram de novo o Sporting para o olho do furacão. Mantenho, e até reforço, a opinião que tenho sobre  o Domingos Paciência: é um grande treinador. Falhou? O que falhou? A parte técnica ou aquela parte que o leão deixou de dominar e que tem a ver com a gestão das expectativas? Sim, Domingos terá cometido os seus erros. Teve o mérito de conduzir a equipa à final da Taça de Portugal e fez um percurso tranquilo na fase de grupos da Liga Europa. Perdeu a oportunidade de ir mais longe na Taça da Liga e - até este momento - não logrou reduzir a distância que separa o Sporting do Benfica e FC Porto. 

Pensar que o problema do Sporting é sempre o treinador começa a ser, no mínimo, ridículo, olhando aos antecedentes. Apesar de conhecer bem Domingos, de lhe reconhecer competência e saber que tem muito conhecimento na área em que trabalha, nunca esperei que num ano ele colocasse o Sporting num patamar que a dada altura da época a «estrutura» chegou a prometer aos sócios e adeptos. Foram acenos populistas, mal pensados, que criaram a ilusão de um leão voraz, capaz de devorar Barcelonas ao pequeno-almoço e arrotar Milans e Manchesters ao jantar. Em 24 horas, Godinho Lopes passou da defesa «de um projecto de longo prazo» para um despedimento à velocidade da luz. É a imagem de marca de um Sporting que se renova sem se renovar. Os mais optimistas pensarão que o futuro com Sá Pinto, referência da casa, pode abrir outros horizontes, que o Braga e o Marítimo acabarão por cair e em cima da meta o Sporting conseguirá atingir os mínimos para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões. No que toca ao Marítimo, não sei, pelo que vejo jogam um futebol atraente e apoiado por bons argumentos táticos e técnicos. Quanto ao Braga, esqueçam. Os oito pontos que agora abriu sobre o Sporting serão os suficientes para os Guerreiros gerirem a sua posição e até cobiçarem o segundo lugar. 

O Braga, como há tempos escrevi, tem uma estrutura. As dúvidas que havia por causa da reformulação do plantel e da entrada de um novo treinador são agora residuais. Já o Sporting teve tudo para criar uma estrutura forte mas com o desgaste do tempo abriu brechas nos alicerces e as velhas desavenças emergiram. É um clube complicado, inexplicavelmente complicado. E não vejo que o passo que agora deu seja o Simplex que o emblema de Alvalade tanto precisa.
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