segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Estava errado

Quem me conhece sabe que não sou de fugir às minhas responsabilidades. Hoje, por causa de uma notícia online sobre a situação clínica de Baiano, fui bombardeado por ter escrito que a lesão acontecera na sequência de uma entrada de Javi Garcia. Vamos por partes. Na altura em que reuni os dados sobre a lesão de Baiano, e o quadro em que ela aconteceu, pessoas da minha inteira confiança afiançaram-me que o lance tivera como interveniente o espanhol. Não atribuiu a essa informação adicional mais do que o valor que ela realmente tem. Javi era apenas mais um dado. Claro que olhando à envolvente de hoje, em que Javi foi acusado de ter dirigido insultos racistas a Alan e Djamal, a «informação adicional» ganhou imediatamente outra dimensão.

Primeiro ponto: admito que fui imprudente na forma como abordei a questão. Por isso peço desculpa. Errei. Para vos dizer a verdade, salvo outro pretexto ou acção deliberada, pouco importa a referência ao jogador que estava perto ou inadvertidamente o lesionou. Em 95 por cento dos casos, as lesões, graves ou não, simplesmente acontecem, não são resultado de planos maquiavélicos do sujeito Y ou X ou de qualquer acto premeditado. Excepções, claro que as há. Há uns anos, Paulinho Santos arrancou o céu-da-boca a João Pinto com uma cotovelada. Isso é diferente.

Procurei ter acesso à gravação do jogo, o que não consegui. Os resumos disponíveis não são esclarecedores. Não culpo as pessoas que me forneceram a informação que dei como boa, por exemplos do passado. A culpa foi unicamente minha, era a minha obrigação ter procurado outros meios para chegar aos factos. Posteriormente, a referência a Javi foi retirada a meu pedido. Gostaria de ter feito uma rectificação mais personalizada, mas o online não é um jornal, as coisas fluem a uma velocidade diferente. Faço-o aqui.

Por imperativos de formação intelectual, não vou responder a insultos. Tecnicamente, também me era muito difícil escavar um buraco tão profundo como as contas públicas, para me colocar ao nível de gentalha que vê no futebol um escape para as frustrações do dia-a-dia.

Como cidadão, mas também como jornalista, tenho pena que nos últimos anos os poucos jogos a escapar a polémicas gratuitas, sejam os das competições europeias. Pena, porque concluo que os clubes, não apenas estes dois, têm mais respeito pela UEFA do que pelos adeptos portugueses e pelo espectáculo organizado em Portugal. Dá a impressão que perante o organismo europeu todos fiam fininho e batem a bola baixa e que para os portugueses qualquer merda serve. Mas pode ser só impressão minha.
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