sexta-feira, 3 de junho de 2011

A nova comunicação



Está escolhido o novo director de comunicação e imagem do SC Braga. Jornalista há 18 anos, Marco Aurélio Carvalho saltou na Rádio Lidador [onde nos conhecemos e travámos amizade] para a SportTV, onde estava há 11 anos. É um novo mundo que se abre para o Marco, ao qual desejo boa sorte. Ao contrário do que aconteceu com o Ricardo Lemos, que herdou um clube que no capítulo da comunicação e imagem vivia alegremente na idade da pedra, o Marco recebe nas mãos um projecto adaptado ao século XXI, mais estável e consolidado, e com potencial de crescimento.

Já li e ouvi elogios e críticas imputadas ao trabalho do Ricardo Lemos nos últimos três anos. Primeiro ponto: o SC Braga tem a sorte, ou melhor, o mérito, de ter na sua estrutura grandes profissionais, do Rui Casaca ao Pedro Pereira, passando por áreas menos visíveis, como o marketing e o departamento médico. São é poucos comparativamente às máquinas que sustentam os três grandes . Ricardo Lemos era um director sem equipa, mas conseguiu operar um autêntico milagre em Braga. E fê-lo com grande sacrifício pessoal.

Graças aos seus contactos, chamou ao Axa rádios, televisões e jornais generalistas, muitos profissionais da comunicação social que, nalguns casos, nem faziam ideia que o Braga existia, e que noutros, como era o caso da televisão pública, simplesmente «apagaram» o Braga da agenda, porque durante anos a fio, sem explicação plausível, o clube recusara repetidamente que jogadores e técnicos falassem à RTP ou a qualquer outra estação, jornal ou rádio.

Isso mudou. E ao mudar, a campanha «Guerreiros do Minho» demorou apenas um ano a expandir-se e a entrar no universo nacional. Ao abrir-se ao exterior, o Braga ganhou também mais espaço na Comunicação Social, harmonizando relações que eram inexistentes ou tensas, ao ponto de provocar clivagens desnecessárias.

Queixam-se os adeptos - alguns - de que não houve da parte de RL uma política na aproximação público-equipa. Eu acho que aconteceu precisamente o contrário. Os jantares convívio com Jorge Jesus e Domingos são disso prova irrefutável, depois de um hiato de anos por razões (novamente) pouco... razoáveis. Pedir mais que isso era chamar o circo à cidade. No resto, o papel de um director de comunicação é muitas vezes ingrato e pouco compreendido, até por nós, jornalistas. Mas RL teve um papel importantíssimo, fundamental mesmo, na credibilização do Braga como instituição capaz de (con)viver pacificamente numa era em que a informação corre à velocidade da luz. Dizer o contrário, é não ter a mínima noção do que era o clube antes dele chegar.
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