terça-feira, 31 de maio de 2011

A revolução bracarense



A grande questão no momento no Braga não é quem sai, mas quem fica. Parece-me que o clube está a pagar um preço mais alto que o esperado pelo sucesso desportivo conquistado nos últimos dois anos, em especial neste. O retorno da magnífica campanha na Champions e Liga Europa traduziu-se na venda recorde do passe de Sílvio [oito milhões de euros] e na provável transferência de Pizzi por valores ainda mais elevados, aproveitando a aura e o prestígio alcançados pelo Braga na Europa e no Mundo. Em Janeiro, Moisés e Matheus renderam 1,5 milhões; as provas da UEFA garantiram um encaixe de 15 milhões.

A outra face da moeda foi a saída de jogadores em final de contrato, que também foram importantes alicerces deste êxito. Artur Moraes, Rodriguez, Miguel Garcia, Paulão, Vandinho, todos se despediram com o passe hipervalorizado; a equipa técnica em massa mudou-se para Alvalade; um ou outro jogador com contrato alimenta a secreta esperança de sair. O assédio não se resume ao plantel, porque outros elementos da estrutura estão a ser fortemente cobiçados...

O Braga de 2011/12 vai ser remodelado a 85 por cento. É uma revolução forçada pelas circunstâncias aquela que Leonardo Jardim vai liderar. Ao nível das aquisições, o Braga dá a ideia de estar inclinado para o mercado africano ou afro-europeu. Imorou [Benin], José Luís [Cabo Verde], Djamal [Líbia] estão contratados, Darragi [Tunísia] é claramente um alvo. Em princípio, o nigeriano Elderson irá permanecer no grupo.

Uma nota apenas, sobre os africanos: em 2012 há uma Taça das Nações Africanas, co-organizada pelo Gabão e Guiné Equatorial. Todas as selecções que aqueles jogadores defendem têm fortes hipóteses de se apurarem para a fase final, que se realiza entre 21 de Janeiro e 12 Fevereiro. Na realidade, a CAN «começa» duas semanas antes quando as selecções entram em estágio. Em tese, o Braga poderá ficar sem 5 futebolistas nesse período da época. É um mercado interessante, mas que comporta este risco...
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