quinta-feira, 19 de maio de 2011

Ciclos que começam e acabam





A consagração europeia do FC Porto de André Villas Boas em Dublin faz-me lembrar aquele anúncio que terminava assim: 'tão natural como a sua sede'. A sede de êxitos do FC Porto não foi saciada com a conquista da Liga Europa - terminará quando a equipa azul e branca levantar a Taça de Portugal, no Jamor. Entretanto, os adversários que se preparem para novo «secão» de títulos na próxima época se nada se alterar no dragão - como aliás, tudo o indica, embora tenha o pressentimento de que o passe de Fernando será vendido.

Em oposição, o Braga de Domingos Paciência fechou um ciclo em Dublin. Espantoso como uma equipa com tão poucos recursos económicos atingiu o feito extraordinário de estar numa final da UEFA. Perdeu no campo, mas conquistou prestígio à escala mundial e honrou o nome do País. Foi o ponto final de uma era que, dizem, dificilmente, será repetida. Não sei. Também tudo começava e acabava com Jesualdo e o que se viu posteriormente desmentiu essa ideia.

Demorará seguramente mais algum tempo para o Braga ser capaz de cimentar a sua posição de quarta potência no Campeonato e ao mesmo tempo fazer uma grande campanha na Europa. Não haja ilusões nesse capítulo. Há que encontrar um ponto de equilíbrio em matéria de prioridades e ser racional na abordagem a uma época que conhecerá mudanças profundas na estrutura do plantel e no comando técnico. Leonardo Jardim tem para mim o mérito de saber o que quer e não temer nenhum desafio. Parece-me um bom treinador. Sabe comunicar com os jogadores. Esse é o papel do técnico. Cabe agora à restante estrutura protegê-lo dos efeitos de uma época que excedeu largamente as expectativas. Porque Dublin não marcou apenas a despedida de Domingos e muitos jogadores. Assinalou a despedida de uma equipa mítica, que não precisa de autorização para entrar na história do Braga.
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