sábado, 5 de fevereiro de 2011

Maluqueira: não cresçam para o Artur



Não sei se todos viram, mas aquele jogo nos Barreiros foi uma das maiores maluqueiras a que tive oportunidade de assistir nos últimos tempos. Estou na recepção do jogo, a passar os olhos pelas páginas de uma história com um final muito feliz para o Braga, que tendo vencido bem o Marítimo, por 2-1, podia perfeitamente ter perdido o jogo - e seria justo na mesma. Confuso? A verdade é que aquele golo madrugador de Hélder Barbosa (olha a pressa, aos 24 segundos!) fazia antever um Braga demolidor e um Marítimo potencialmente ferido de morte. Sucede que o Braga continua a cometer erros primários na defesa, apesar de ter um fluxo ofensivo muito bom, e que até foi constante na segunda parte, ao ponto de ter criado superioridade até ao minuto 90.

Mas houve, antes e depois do tempo de compensação, momentos inacreditáveis que vale a pena isolar:

1) Elderson evita o golo de Ukra em cima da linha de baliza do Marítimo, aos 55 minutos. Não, não há confusão, o sonho do nigeriano, digo eu, é um dia assinar contrato com os insulares e ficar a viver na Madeira até à idade da reforma. Um misto de azar e aselhice? Pois claro. O pontapé e Ukra foi muito bom, alguém falhou a emenda na pequena área, o que iludiu Marcelo Boeck. A bola ia entrar, mas estava lá Elderson. No momento errado, à hora errada.

2) Por falar em Marcelo Boeck: duas ofertas aos bracarenses, em especial o segundo golo. Pergunto aos meus botões: o que tem Peçanha de errado, que nem no banco se senta?

3) E o que dizer daquela discussão acalorada entre Artur e Paulão? Ok, o defesa facilitou e algo de mau se apoderou do cérebro do guarda-redes (no fundo, todos eles são loucos). Duas coisas a esse propósito: o último jogador com quem devíamos querer entrar em rota de colisão é o «armário» do Paulão; depois, convém que esse tipo de, vá lá, desaguisados, não passe dos seis segundos - é o tempo regulamentrar para o keeper devolver a bola ao jogo. Bem o árbitro ao assinalar livre indirecto na área do Braga.

4) A coisa entortou: metade da equipa do Braga foi para cima do seu guarda-redes! Além de ter calculado mal o tempo, Artur calculou mal a popularidade de Paulão no balneário.

5) Agora, a parte irónica da história. Existe sempre esta parte nos filmes candidatos ao Óscar. No livre, Artur faz uma grande intervenção; depois, grita-se golo nos Barreiros, e o caso não era para menos. Não foi golo?! Que raio aconteceu? A bola rematada por Rafael Miranda cristalizou entre a «gaveta» e a ponta da luva de Artur. Mágico. Foi um pequeno milagre. Volvidos alguns minutos, João Guilherme enfia um petardo no poste direito da baliza bracarense. E outra grande defesa de Artur, a remate de Heldon, no encerramento deste louco carrossel.

6) O Braga ganhou e Artur, que não ficara assim muito bem na foto no primeiro golo, aliás como toda a defesa do Braga, transformou-se no Rei Artur. Melhor em campo, na minha opinião, porque foi o mais decisivo. Façam-lhe agora um favor: não cresçam para ele...

7) O Marítimo tem uma bela equipa. E apesar de ter perdido, nota-se que é uma equipa em crescimento, a criar um modelo novo e a adoptar uma identidade que a vai seguramente conduzir a um final de época menos irregular. Quanto ao Braga, se as coisas fossem avaliadas apenas pelo fluxo ofensivo que cria, tudo seria fantástico; mas acontece que todo aquele acumular de erros defensivos, frente a um conjunto com outra maturidade e classe - como o FC Porto, por exemplo, que é o próximo adversário - teria provocado o descalabro. Quer dizer, partindo do princípio que o Artur não tem mais noite abençoadas como a que teve nos Barreiros...

Enviar um comentário