terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Curvas e não só

Desde que um conhecido dirigente do futebol indígena afirmou que determinado jogador do Braga devia ter sido «domesticado com um cartão amarelo» que nunca mais consegui ver o futebol da mesma forma. Ok, o Benfica está a jogar muito e enche de uma esperança inócua os espíritos dos que puxam pelo primeiro despiste do FC Porto no Campeonato. Grande coisa. Tirando as mulheres de alguns astros da terrinha, as curvas no futebol português são tão apaixonadamente rectilíneas como os edifícios de Siza Vieira. Fazem-se com a quarta engatada e o pé a fundo na tábua. Pela primeira vez na minha vida, estou mais interessado no fenómeno da revolução das massas nalguns países árabes que com o rolar da bola. Estou a estudar a coisa, a ver como se faz, a ouvir com toda a atenção o grito de revolta do povo. É um estudo útil. Qualquer dia, a onda chega cá e vai ser bonito de ser ver. Por agora, não nos limitamos a ser admoestados pelo regime. Somos domesticados. Com cartão vermelho.
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