domingo, 9 de janeiro de 2011

Cáustico



Ficar na redacção a receber e fechar um jogo de futebol dá-nos uma perspectiva muito interessante, porventura mais fiel e lúcida, sobre o estado de espírito dos intervenientes numa partida. Falo, concretamente, da vitória do Sporting sobre o Braga, por 2-1.Paulo Sérgio ainda não pode dormir sossegado, mas ao abrir 8 pontos de vantagem sobre um adversário directo nota-se que o oxigénio lhe chega mais puro ao cérebro na avaliação daquilo que foi a história de um desafio muito equilibrado. Em relação a Domingos Paciência, vi duas partes: primeiro, um discurso mais macio no «flash-interview», onde se centrou mais no demérito do SC Braga que no mérito do Sporting, falando de raspão dos dois erros cometidos pela equipa nos golos do Sporting.

Na sala de Imprensa, um outro Domingos Paciência. Sem Paciência para aturar mais erros e a enviar, através de um discurso cáustico e assertivo, a factura detalhada das asneiras colectivas, criticando abertamente a atitude e falta de agressividade da equipa. Do último ponto, estou inclinado em concordar, mas esse é um problema persegue o Braga há meio ano; falta de atitude, já não achei tanto. O Braga foi superior em vários aspectos (cantos, remates, posse de bola), não vi lassidão dos jogadores em matéria de entrega. O que há a dizer é que o Sporting fez pela vida e percebeu que aqueles 90 minutos eram cruciais para descolar de um opositor que tem plantel para ameaçar a sua posição. Pode-se falar de muitos factores - de falta de sorte, de azar, de aselhice, daquele remate que saiu mal. Mas falemos do essencial: o Sporting foi mais eficaz e a vitória, valha a verdade, não lhe fica nada mal.
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