sábado, 16 de outubro de 2010

A bela e esquecida Arouca



Hoje mudei de ares e fui até Arouca, onde anda toda a gente louca com a visita do clube da terra ao Estádio da Luz. É um exagero. Não anda toda a gente louca, mas a sonoridade da rima agrada-me e andei toda a semana a espalhar o slogan pelo jornal (isso passa-me, acreditem). Que me lembre, só fui duas vezes na minha vida a Arouca. Há muitos anos, fui lá parar sem saber como depois de andar perdido pelas serras. Não posso jurar, mas julgo ter lá ido por causa de um jantar do FC Porto. Hoje, foi a segunda vez. É uma vila bonita e aprazível, rodeada de uma paisagem lindíssima, um local com história, uma gastronomia fantástica e uma soberba tradição na doçaria conventual. A juntar a tudo isso, possui um artesanato que preserva uma identidade própria, de terra que não se resigna nem cai no conformismo.

Porquê não ir mais vezes a Arouca? Todos os caminhos vão lá dar. Por Fiães, pela Feira ou por São João da Madeira, chega-se a Arouca. Esse é o problema. Basicamente, nenhuma das alternativas é apetecível, porque nos oferece um cardápio de curvas e contracurvas que atiram o mais intrépido condutor para uma jornada muito cansativa ao volante. Espanta-me que o Governo não se tenha lembrado de colocar pórticos nestas espécies de estradas- vai muito a tempo. Mas antes de o fazer, tem a obrigação de pagar uma dívida antiga aos arouquenses e tirá-los do ridículo isolamento a que estão votados em matéria de ligações rodoviárias, quer para o Porto quer para Aveiro. São 57 quilómetros para a Invicta, que parecem 570. Assim, para ir a Arouca, a gente fica mesmo louca.

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