sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Jesus: depressa e bem...

Nova derrota do Benfica. Desta vez com o V. Guimarães, por 2-1. Começo a dar razão a um amigo que há mês e meio me disse: «As segundas épocas do Jesus são sempre muito complicadas.» Uma vez que ele é leitor do blogue, sabe quem é. Como conhece bem Jorge Jesus, sabe o que diz. Na verdade, e reflectindo sobre o tema, é natural que assim seja. Jesus é um treinador absorvente, que vive o futebol 24 horas por dia e exige que quem com ele trabalha viva o fenómeno com a mesma intensidade. Por isso operou num piscar de olhos (uma época desportiva) profunda e marcante revolução de mentalidade e de filosofia tácticas no Benfica. No seu caso, a pressa não foi inimiga da perfeição. Há, evidentemente, o outro lado da moeda: o desgaste. Não físico, mas mental, que pode aparecer com a mesma velocidade.

Habitualmente, é no terceiro ano do ciclo de um treinador num clube que começam a emergir os mais graves problemas de comunicação com o plantel. Aparecem os conflitos, que fracturam o balneário. Surge o conformismo, que contagia os jogadores. O primeiro diagnóstico que se pode fazer deste Benfica é que perdeu a sua aura de campeão; o outro sintoma surge por associação - Jesus demora mais que o habitual a encontrar uma solução. No jogo de ontem, os encarnados têm razões de queixa do árbitro; mas não podem refugiar-se nas arbitragens para explicar tudo. Caso teimem ir por esse caminho, quando despertarem para a realidade já será tarde para escalar a montanha.
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