domingo, 12 de setembro de 2010

Barriga cheia



Que grande jogo de futebol no Dragão! Proença esteve muito mal em só dar 4 minutos de compensação. Devia ter dado 40, sei lá, 80. O jogo devia ter continuado até todos caírem para o lado, público incluído, porque há espectáculos que não devem acabar - e então nesta pobre Liga periférica, dominada por espartilhos tácticos e estratégias mal amanhadas, assistir a um desafio desta dimensão é um privilégio que não se esquece. Venceu o FC Porto, por 3-2. Reagiu por duas vezes à vantagem do Sp. Braga. Colocou-se na frente no tempo certo, impulsionado por um Hulk fantástico e um Varela irresistível e letal a finalizar - 3 remates enquadrados, dois golos!

O FC Porto está bem lançado. Só isso. Emerge uma equipa capaz de honrar a tradição das grandes conquistas do dragão. Como reza um provérbio chinês, uma grande viagem começa sempre com um pequeno passo. O passo de ontem foi significativo, mas a viagem ainda é longa e os obstáculos serão com certeza muitos.

Quanto ao Sp. Braga, fez também um belo jogo. É uma equipa madura, personalizada, que dá gosto ver jogar. É candidato e sê-lo-á até ao fim, mesmo com as exigências da Champions a apertar o calendário. Globalmente o plantel é forte e extenso. Mas ainda há sectores em que o lençol não tapa os pés. É o caso das laterais. Sílvio e Elderson (jogo fracote, é bom que se diga) são indiscutíveis no onze. Problema: não têm concorrência à altura. A sombra de Elderson é um jogador chamado Eduardo, ex-Botafogo, que é central de formação. Está a ser «trabalhado» no laboratório e isso leva o seu tempo. Na prática, a sombra de Elderson é Sílvio e a sombra de Sílvio é, por sua vez, Miguel Garcia, que teve uma entrada desastrada no jogo. Foi por ali que o FC Porto atacou a vitória.

Não há milagres, pagar a tempo e horas impõe rigores orçamentais que o Sp. Braga não pode nem deve contornar. Nenhum plantel é perfeito, mas o deste ano é mais forte que o anterior, tem mais e melhores soluções no ataque e no meio-campo. Na defesa, um terceiro central de categoria também era bem-vindo por Domingos. Até quando vão aguentar este ritmo Moisés e Rodriguez?
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