terça-feira, 24 de agosto de 2010

Os Guerreiros da Champions


Quantas equipas se podem gabar de chegar ao Estádio Ramón Sánchez-Pizjuán e marcar quatro golos ao Sevilha? Ainda por cima, gerindo uma vantagem curta e susceptível de dar ao adversário a motivação para operar a reviravolta. Sim, essa equipa só podia ser o Sp. Braga. É por mérito que os minhotos estão entre as 32 melhores formações da Europa. A seguir ao primeiro jogo com o Celtic, fiquei com a ideia de que não era utópico pensar-se na fase de grupos. Disse-o neste espaço e na crónica do desafio que fiz para A Bola. Os 3-0 aplicados ao Celtic foram só o início da história. E eliminação do Sevilha, ainda é o início da história. Olhando para a estrutura do Sp. Braga - a do futebol e a que apoia directamente o futebol - não é de todo descabido projectar um Sp. Braga como sério, mesmo muito sério, candidato ao título, mesmo com a árdua tarefa de jogar simultaneamente numa competição com as exigências da Champions.

O Sp. Braga está entre as 32 melhores equipa do Velho Continente com um orçamento que mal ultrapassa os 10 milhões de euros. Só nesta fase da competição, encaixou 9,2 milhões de euros (play-off + apuramento à fase de grupos), aos quais se juntam 2,25 milhões de euros dos direitos televisivos. Nos últimos dois anos, António Salvador fez algo que não era costume nele: arriscou dois exercícios negativos na SAD em nome do engrandecimento do projecto desportivo do clube. Teve que fazê-lo porque, ao contrário dos três grandes, o Sp. Braga não cativa receitas milionárias das principais instituições bancárias, das operadoras de telemóveis ou das cervejeiras. Teve que financiar o seu próprio sonho, recorrendo a um pouco de loucura e a uma generosa dose de irreverência.

Não se pense, contudo, que os milhões vão mudar a face do Sp. Braga ou do seu projecto desportivo. Mudar para quê? Numa altura em que a crise é global, os minhotos são o melhor exemplo de que com criatividade, planeamento e muito entusiasmo é possível chegar à Champions com 10 milhões. Há quem gaste o dobro, o triplo, até dez vezes mais para comprar o sonho, hipotecando o futuro e vivendo a ilusão de uma riqueza que por vezes esconde a mais crua pobreza de espírito.

PS: Para a generalidade dos espanhóis, um campeão nacional português lutaria, no máximo, pela permanência na «super liga» deles. Um vice-campeão, então, só caberia na II Divisão. Até por isso, o Sp. Braga prestou um grande serviço ao futebol luso ao ganhar 4-3 em Sevilha. Fico à espera que o Sp. Braga «caia» no grupo mais forte da Champions, porque quanto mais dificil e complexo é o desafio mais e melhor eles jogam...

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