quinta-feira, 10 de junho de 2010

Vou para o Texas



Vila Nova da Telha. 10 da manhã. Ruas desertas, persianas fechadas, a freguesia espreguiça-se debaixo dos tímidos raios de sol que perfuram o manto de nuvens. De repente... soam duas vuvuzelas a rasgar o sossego matinal, a devolver-me o horrível som de fundo das reportagens televisivas sobre o Mundial da África do Sul. Não, agora é demais! Se nem no cu de Judas podemos estar livres desse malfadado instrumento, então vou emigrar para o Texas, onde o soccer não entusiasma nem fere o ouvido.

Em 2000, na Taça das Nações Africanas, co-organizada pela Nigéria e o Gana, também havia vuvuzelas. Mas em menor número. Era o rufar dos tambores que afinava as orquestras e dava alma ao espectáculo. Tambores de vários estilos. Quando Marrocos e a Tunísia jogavam, o som do couro era refinado e misturado com instrumentos de sopro que nos faziam levitar pelo deserto do Sahara. Jogando a Nigéria, a Costa do Marfim ou os Camarões, o rufar dos tambores é compassado e forte, a lembrar um chamamento aos guerreiros. Num ou noutro caso, acaba tudo a dançar, jornalistas incluídos. Em relação à vuvuzela, a única coisa que convoca é uma irresistível tentação de cometer suicídio.


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