domingo, 6 de junho de 2010

A Tango e a 'tanga'

Anda tudo a bater na bola Jabulani como se não houvesse amanhã. Deve ser do nome, pois, ao que consta, a bola será igual para todos e o segredo passa, antes de mais, por compreender a redondinha em vez de criticar o seu carácter imprevisível. Isso das bolas do Mundial, já se sabe, é acima de tudo um negócio rentável. Hoje em dia não me passaria pela cabeça comprar uma, mas em 1982, no primeiro Mundial que conservo na memória desde o jogo de abertura até à final, convenci os meus pais a comprar a famosa Tango. A Tango foi o primeiro esférico (quase) impermeável e o último a ser fabricado em couro. Saltava muito, era resistente, mas não ao ponto de aguentar o impacto de um rodado de camião - que foi o triste destino que aquela bola caríssima conheceu, poucos dias depois de se «estrear» nas estreitas ruas de Freixieiro City.

A Jabulani é má? Toca a recuperar a Tango, então. Aliás, bom mesmo era recuperar o espírito daquele Mundial de 1982, em Espanha. Lembram-se que havia «pesetas» cunhadas com os estádios da competição? Até a mascote, o Naranjito, tinha um piadão. Como disse, é o primeiro Mundial de que me recordo - pese ter em casa a colecção do Mundial de 1978 - e ao verificar que o futebol se tornou num gigantesco negócio, Espanha '82 convoca em mim a saudade do tempo em que a bola era amiga dos jogadores.
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