sexta-feira, 23 de abril de 2010

A consciência bracarense



Reza um provérbio português que o dinheiro não compra a felicidade, mas ajuda. Há exemplos no passado que dão razão ao ditado popular. Depois da época dourada do título de campeão, o dinheiro proveniente da Champions ajudou muito o Boavista, mas não o conduziu à felicidade. Conduziu-o à penúria, não propriamente o dinheiro mas o mau uso que dele fizeram. Vem isto a propósito do Sp. Braga e da provável qualificação da equipa para a Liga dos Campeões - quer através do segundo lugar, o que obrigará a equipa a jogar uma eliminatória e o play-off ou, mais remotamente, através da sua condição de novo campeão português, e aí a entrada será directa.

Ontem fiz uma perscrutação sobre o que poderá mudar no Sp. Braga com a Champions. Podem ler aqui. O adepto bracarense tem, como qualquer um, ilusões e sonhos. Mas se há coisa que seguramente não quer é seguir o exemplo do Boavista. Das conversas cruzadas, surgiu, afinal, uma conclusão esperada: a ir à Liga dos Campeões, o Sp. Braga valorizará os seus activos, reforçará a marca e o seu prestígio no Mundo, ganhará instrumentos interessantes do ponto de vista financeiro para aplicar a mesma máxima: comprar bons jogadores a preço acessível e vendê-los ao dobro ou triplo do preço; ter noção do que pode gastar; ter noção do que pode pagar. O clube avança, mas os modelos desportivo e de gestão não se alteram.

Essa consciência teria feito bem ao Boavista. Por isso é que sempre que se invoca a pantera para falar da carreira ascendente do Sp. Braga nos últimos anos fico com a impressão de que se está a ser injusto com os minhotos e com António Salvador.
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