quarta-feira, 24 de março de 2010

Com dignidade



Em face da decisão do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol de reduzir os castigos de Sapunaru e Hulk - e também de reduzir a cinzas a argumentação da Comissão Disciplinar da Liga em aplicar aos dois jogadores castigos que entraram no Livro de Recordes do Guinness - Hermínio Loureiro renunciou à presidência da Liga de clubes. Sai com a dignidade que se impõe, mas se neste processo só rolar a cabeça de Hermínio será uma tremenda injustiça. O presidente demissionário da Liga sempre fez questão de conceder aos outros órgão da Liga - disciplina e arbitragem - a autonomia de que não gozaram no passado. Criticado por certos sectores, sobretudo aqueles a quem interessava que o futebol português continuasse a ser o pântano em que só alguns sabiam onde pousar em segurança o pé, Hermínio Loureiro trouxe lucidez e clareza a uma indústria onde é difícil combater determinados interesses instalados. Nos últimos tempos, foi perdendo a batalha com essas forças e voltou à política. O pai da Taça da Liga despede-se com a certeza de que cortou com relativo sucesso a maior parte das metas que se propôs atingir quando, num discurso pujante e assertivo a que tive oportunidade de assistir ao vivo, prometeu mudança de rumo na liderança da Liga. Desautorizado pela FPF, abdicou. Sairá sozinho?

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