sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Baía e o meu professor de história



Quando vejo o Vítor Baía lembro-me sempre do meu professor de história do 7.º ano. Não que sejam parecidos, longe disso, mas porque há muitos, muitos anos, quando eu era um puto reguila com tendência para me meter com os mais velhos, li uma notícia num jornal (acho que a Gazeta dos Desportos) que dava conta da transferência do guarda-redes dos juniores, Bizarro, do FC Porto para o Benfica. O meu professor era um portista doente e frequentador assíduo do Estádio das Antas, como é, já aqui o escrevi, o padre da minha paróquia. Conhecia todas as equipas de formação. Quando lhe dei a ler a notícia, não vacilou na resposta. «Menino», disse-me com ar tutorial, «temos lá um muito superior: o Vítor Baía. Vai ser o melhor do Mundo.»

Baía chegou de facto ao topo do Mundo. Bizarro, nem por isso. Vi hoje Baía na escola Horácio Bento de Gouveia, no coração do Funchal, a distribuir sorrisos e autógrafos, a passar a pente fino as instalações, seguido por um séquito de professoras aos pulos, como adolescentes acabadas de sair de um encontro passional. Baía faz vibrar todas as gerações. Putos de 1o anos, crianças de 5, presumo que o meu filho de 20 meses também o conheça. Actualizo a palavras do meu professor de história: «A guarda-redes ou a director de relações externas, Vítor Baía é mesmo o melhor.»
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