quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Um céptico com fé


Bancada central do Boras Arena

É quase uma e meia da madrugada na Suécia. Já sinto o corpo a latejar, a implorar por cama, reclamando furiosamente das três horas de sono a que me entreguei com a alma possível antes de empreender a viagem à cidade de Boras. Vagueio pelo quarto, que parece um destroço de guerra, com papéis e dados estatísticos espalhados pelo chão, cinza a denunciar o pecado do fumo num quarto supostamente verde que tresanda a mofo por causa de uma alcatifa comprada nos saldos Outono/Inverno de 1972. Almocei por oito euros num Kebab rasca e jantei por 55 euros no mais selecto restaurante do burgo, o George- o único aberto depois das 22 horas.


Entrada do balneário do Sp. Braga na casa do Elfsborg

Em suma: estou cansado. Mas sei que vou dormir as mesmas três horas de sempre e que amanhã, quando o Braga subir ao relvado artificial do Boras Arena, vou dar comigo a pensar porque raio me deitei tão tarde. Um golo cedo de Meyong ou Frechaut, tanto faz, pode despertar os meus sentidos, fazer a adrenalina correr nas veias à velocidade da luz, acender aquela luzinha muito mortiça que ilumina a esperança numa reviravolta na eliminatória - que só alguns acreditam.

Sou um eterno céptico e acho que no futebol a fé nem sempre vence uma boa estratégia, como hoje Domingos defendeu, dando como exemplo o Twente-Sporting. Não sei, uma vez, vá lá, duas vezes seguidas e tendo como denominador comum os Sportings europeus, já acho muita fruta. O que sei é que o Braga se agiganta na Europa, ganha forças nos momentos menos esperados e que a fé, por vezes, poucas vezes, derruba boas estratégias.
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