terça-feira, 4 de agosto de 2009

A propósito da imprensa desportiva portuguesa



Amanhã parto para a Suécia. Destino: Boras, a cidade sede do Elfsborg. É a terceira vez que vou à terra dos vinking. Gostei muito da luz mortiça de Estocolmo, mas apreciei mais Gotemburgo, uma cidade que até tem eléctrico e me faz lembrar vagamente o Porto - por sinal, também é a segunda metrópole da Suécia. Boras fica a cerca de 60 quilómetros de Gotemburgo e é uma cidade pequena com pouco mais de 64 mil habitantes.

Mas deixemos a geografia para trás. E o futebol também. Nesta viagem levo na mala do computador este texto, publicado na página oficial do Elfsborg e escrito por um jornalista, Kjell Dabrowski, que na semana passada acompanhou a equipa a Braga. Está em sueco, eu sei. É uma chatice, mas eu traduzo algumas ideias.

Entre considerações várias sobre a dimensão da empreitada do Elfsborg no jogo da primeira-mão, o jornalista lamenta o «espaço marginal» que a comunicação social do País dedicou à vitória dos suecos. Antes, durante e depois do desafio. «Quando os jogadores chegaram da viagem a Portugal foram a correr para as bancas e li nos seus olhos a decepção que sentiam por ver o desprezo a que foram votados. Tive vergonha de ser jornalista». Conclui a peça com o exemplo português: espantou-se com o espaço que o Braga teve em Portugal.

Já sei o que vem aí: o choradinho do costume acerca da expressão que os três grandes, em especial o Benfica, têm na imprensa lusa. E é verdade, têm mesmo. O mercado assim o determina. É ele que dita as leis. Leis que aplicadas noutro país, noutro contexto, noutra cultura, reduziriam o Braga à expressão do Elfsborg. Agora, digo eu: felizmente que por cá não é assim. Por muito que se diga o contrário, o Braga conquistou o seu espaço na Imprensa nacional. Por mérito próprio; por mérito desportivo. Isso é incontestável. Mas tirando Espanha e a Grécia, não conheço outro país para além de Portugal em que os jornais desportivos de âmbito nacional dêem tanto espaço à generalidades dos clubes que não têm estatuto de grandes. E no caso da Espanha, há edições regionais feitas à medida de cada emblema e que nunca chegam à capital.

Agora, sim, podem bater à vontade.
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