quarta-feira, 20 de maio de 2009

Memórias do Jamor



Volvidos cinco anos volto ao Jamor para a cobertura de uma final da Taça de Portugal. O FC Porto-P. Ferreira será a minha quarta final. De todas, a que mais gostei foi o Sporting-Leixões, que os leões venceram por 1-0, com golo do Jardel. Pelo ambiente dentro e fora do Estádio do Jamor, por ver nas bancadas tantas caras conhecidas de Matosinhos, por testemunhar a fantástica caminhada de uma equipa da II Divisão B (mas com plantel de Primeira!) bem dirigida por Carlos Carvalhal.

Mas a final mais surrealista foi mesmo a última: em 2003-2004, quando o Benfica de Camacho derrotou o FC Porto de Mourinho por 2-1 (a.p.). Tudo começou antes do jogo. Os hotéis de Lisboa estavam cheios. Só me arranjaram quarto no Marriott, que - fiquei a saber quando lá cheguei - era o quartel-general do Benfica. Foi esquisito. É legítimo uma equipa de futebol querer privacidade. Infelizmente para eles, era legítimo eu ter uma cama onde dormir. O que vi por lá ficou e ficará sempre guardado na minha memória.

Dia do jogo. Quem conhece o Jamor sabe que os lugares da Comunicação Social ficam no lado direito da tribuna presidencial. Perto do final da partida, para fugir da confusão, quis descer para a zona da maratona para depois saltar para a sala de Imprensa. Um daqueles seguranças com dois neurónios decidiu que não ia ser assim. O jogo terminou. O Benfica venceu e eu a pressionar o segurança. Os jogadores do Benfica subiram para receber a Taça e eu já gritava e ameaçava. De repente, farto de me ouvir, o segurança dá a ordem: «Desça agora, rápido». Assim fiz. Quando dei por mim estava atrás do Simão Sabrosa e à frente do Mantorras, a descer a escadaria da glória envolvido por centenas de braços e cachecóis. Só faltou ficar com a Taça... Mas toquei nela. Lembro-me também do ar de Mourinho na sala de Imprensa. Difícil de descrever. Foi a única vez que o vi com cara de derrota...
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