domingo, 12 de outubro de 2008

Mestre Rogério



Com a devina vénia (sabes que não posso baixar-me muito mais...), reproduzo a coluna de Rogério Azevedo na edição de hoje de A BOLA. Poucos jornalistas portugueses têm uma visão tão clara e simultaneamente tão divertida sobre o futebol. Dá gosto lê-lo? Sempre.

MESTRE Alves só conheci um: o João. Jogava de luvas pretas, por vezes de vermelho, por vezes aos quadradinhos pretos e brancos, sempre com pés de veludo, quase sempre de cabeleira solta ao vento e à chuva. É este, felizmente, o mestre Alves de que me lembro. Há quem diga que em Estocolmo, junto da Selecção Nacional, esteve outro. Vi-o pela televisão, se aquele homem gorducho e de sotaque nortenho era o dito cujo, a colocar, junto do estádio sueco, velas e outras mezinhas. Não acredito que, vinte e não sei quantos anos depois, alguém tenha levantado uma placa de substituição: sai Delane Vieira, entra mestre Alves. Madail esclareceu que a FPF nada tinha a ver com o assunto: se assim não fosse, o avião que trouxe a Selecção Nacional era capaz de aterrar no aeroporto da Portela de marcha atrás.

BEM vistas as coisas, ontem revi outro mestre Alves: o Bruno. Durante muito tempo, talvez meses a fio, sempre que alguém me falava nele, lembrava-me de Nuno Gomes: a agressão. Agora, nos próximos meses, sempre que me falarem nele é provável que me lembre de Rui Patrício: o livre. Ou, então, lembro-me da forma como meteu no bolso o sueco Ibrahimovic: o elogiador de Mourinho.

BEM vistas e revistas as coisas, lembro-me doutro mestre Alves com influência: Alves dos Reis. E lembrei-me porque só mesmo com a maquinação que, em 1925, ele usou para falsificar notas atrás de notas os dirigentes do Zenit de São Petersburgo poderão impedir que, dentro de algum tempo, Danny saia do futebol russo. Ontem, por exemplo, o homem que passou por Marítimo, Sporting e Dínamo Moscovo fez mais em cinco ou seis minutos que Nani e Quaresma juntos. A abertura para Ronaldo, perto do fim, foi à Alves: o João.
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