quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A perfect day




7:45 - Acordo. E volto a dormir profundamente.

11:00 - O carteiro toca duas vezes. O gajo faz sempre isso, mas desta vez vou munido de uma Colt calibre 45. Traz com ele a minha credencial para o próximo jogo do FC Porto no Dragão. Quando tudo indicava que desta vez ia entrar a horas, reparo que naquela data estou de férias, no Hotelito Desconocido, México, onde não há televisão nem telefone nem jornais, só mar e horizonte.

11:30 - Tomo o pequeno-almoço, enquanto vejo as notícias na televisão. No momento em que o Luís Filipe Vieira está a falar, o plasma que me custou os olhos da cara fica sem som. Terminada a intervenção do presidente do Benfica, as colunas voltam a funcionar.

12:00 - Leio no JN: taxas de juro baixaram, Sócrates demitiu-se, há futebol em Marte e a Lili Caneças destrona Ferreira Leite na liderança do PSD. No canto inferior esquerdo, vejo um anúncio colorido pago pelo meu patrão: 'Hoje não precisas de ir trabalhar'.

12:30 - Vou trabalhar na mesma. Mas primeiro almoço. Em grande, na melhor mesa da «badalhoca» onde saem sandes de presunto só para mim. Soares Franco está na mesa ao lado, mas levanta-se e senta-se no outro lado da sala. Explicação: quer festejar os golos do Sporting sem ferir a minha susceptibilidade. Faço notar ao empregado que o Sporting não está a jogar e que o melhor é não ir mais vinho para aquela mesa.

16:00 (Fo**-se, o almoço teve prolongamento! - este é o meu chefe a falar). Normalmente prefiro a expressão tipicamente portuense C' um ca**lho para expor um ponto de vista ou simplesmente manifestar a minha estupefacção por ser recebido de forma tão hostil. Trabalho de forma moderada, algo que só acontece quando estou de folga.

21:30 - O facto de este ser um dia perfeito não sensibilizou o meu chefe: já é noite quando saio. Raios me partam, pá, nem por ser eu a escrever esta merda sou bom para mim. Este dia-noite já me parece perturbantemente parecido com a realidade.

22:10- Estou em casa. Rodeado por dois filhos fantásticos e uma Super-Mulher por quem me apaixonei num sonho de adolescente. Os nossos dias são sempre perfeitos quando estamos junto de quem mais amamos (ecoam subtilmente os acordes de uma linda balada de Tony Carreira como fundo musical para esta magnífica cena).

23:30 - Ligo a televisão. Afinal, sempre dei bom uso à Colt calibre 45: nunca mais ouvi um pio do Tony Carreira. Sintonizo a RTP Memória. Está a passar «La Piovra», o Polvo, de Damiano Damiani. Óptimo! Tenho um trabalho de fundo preparado sobre os Conselhos de Justiça da FPF e a Comissão Disciplinar da Liga para amanhã. Bem preciso de inspiração.

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