sexta-feira, 22 de agosto de 2008

O meu Mercedes é maior que o teu




Um dia, há muito tempo, fiz uma notícia assim: clube X impedido de inscrever jogadores por dívidas aos futebolistas A, B e C. Grande chavascal. Os jogadores em causa estavam no plantel, com contrato activo mas em vias de sair. Quem me disse era fonte da minha inteira confiança, que me mostrou documentos, deixando-me a garantia de que caso o clube fizesse o desmentido, os jogadores dariam a cara em nome da verdade.

No dia seguinte, futebolista A e B, por sinal portugueses, receberam todo o dinheiro a que tinham direito (e era muito, acima dos 50 mil euros/cabeça) e, em contrapartida, assinaram ambos uma nota pública repudiando o teor da notícia, desmentindo-a inexoravelmente. O futebolista C, que por sinal era brasileiro, recusou liminarmente a oferta porque, explicou ao dirigente do tal clube, um atleta de Cristo não mente - hoje é pastor numa igreja na terra natal e recebeu o dinheiro com juros nos tribunais.

Foi o único que confirmou no jornal a dívida (a dele e a dos outros), ameaçando mostrar toda a documentação caso fosse necessário. Não foi preciso. O clube calou-se e ao fundo só se ouviu o rumor das ondas que rebentavam perto do estádio. Muito perto.

Epílogo: há dias encontrei o jogador A, que já se retirou dos relvados e anda aí a penar por emprego, a estacionar o Mercedes, modelo já gasto, no parque de um estádio. Não pude deixar de reparar que a matrícula do carro é do ano a que se reporta a tal notícia. Fixei o mês: Setembro. 30 dias depois do desmentido...


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