sexta-feira, 23 de maio de 2008

Chamadas sem preço

Atiro um olhar boçal pela factura do telemóvel, rindo-me de forma miserável com o desfilar de páginas e números que compõem o documento que alegremente a Vodafone me entrega todos os finais dos meses – com uma pontualidade britânica. Faço contas: das 397 chamadas, bem mais de metade foram para agentes desportivos (jogadores, dirigentes, empresários e afins). Cerca de 40 por cento dessas chamadas duraram mais do que três minutos. Os agentes de jogadores são os que mais falam e ouvem, os dirigentes são, por regra, os que dispensam menos tempo a fazer fluir informação ou dar pistas em relação aos projectos para a próxima época. Há uma percentagem, felizmente pequena, que está sempre em reunião e outra, felizmente ainda mais reduzida, que atende, diz que está em reunião e nos desliga o telefona na cara. Os jogadores são os mais emotivos e, nos tempos que correm, os que mais se interessam por aquilo que circula à volta deles e que eles não conseguem captar. Há uma década, os futebolistas eram as melhores fontes de informação que um jornalista podia ter. Ter um ou dois na mão fazia a diferença para descobrir as histórias e notícias que ao leitor interessam. Hoje, não é tanto assim. As mais poderosas fontes são, por esta ordem, os presidentes e os empresários. Volto a olhar para a factura: dois presidentes num mês. Média de merda. Oito empresários. Nem bom nem mau. Em compensação: falei com 33 bons companheiros e amigos. Excelente média. Para manter e melhorar. São eles que me mantêm agarrado aos valores sagrados da vida: solidariedade, a amizade, o respeito. E isso só tem preço para a Vodafone...
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